O Javits Center, em Nova York, virou por um dia o centro do universo esportivo mundial. No terceiro dia do Fanatics Fest, que reuniu cerca de 200 mil torcedores ao longo de quatro dias - um salto em relação aos 125 mil de 2025 -, o CEO da Fanatics, Michael Rubin, comandou uma maratona de bastidores que misturou WWE, NBA, tênis, futebol americano e até um show surpresa de Justin Bieber.
Tudo começou com um pedido inusitado: uma camisa de Jalen Brunson, ídolo do New York Knicks, precisava ser "roubada" do espaço de produtos licenciados da NBA para que Trae Young, armador do Washington Wizards, pudesse rasgá-la durante sua entrada estilo WWE. AJ Dybantsa, escolha número 1 do Draft de 2026 e agora companheiro de Young no Wizards, ajudou a distrair a plateia enquanto a peça era recuperada às pressas. Nos raros intervalos de calma daquele sábado - entre uma corrida e outra pelos corredores do evento -, Rubin chegou a comentar, em tom de brincadeira, que precisava relaxar como quem joga um simples jogo de paciência, tamanha era a intensidade da programação. jogo de paciência
Entradas de arena movimentam ídolos de múltiplos esportes
A sequência de entradas ao estilo WWE reuniu nomes que raramente dividem o mesmo palco. Novak Djokovic, 24 vezes campeão de Grand Slam, escolheu uma máscara de luchador e rastejou pela rampa ao som da música de entrada de Jacob Fatu. Tom Brady, sete vezes campeão do Super Bowl, saiu de um caixão em referência ao lendário Undertaker, usando lentes de contato que davam efeito de olhos revirados, antes de aplicar um golpe de cadeira diante dos jurados. Segundo relato à imprensa, Brady comentou que as lentes incomodavam, mas que "é preciso estar preparado" - e recebeu nota máxima dos avaliadores.
A grande surpresa, no entanto, veio com a chegada não anunciada de Justin Bieber, que se apresentaria no intervalo da final da Copa do Mundo. Vestindo uma camiseta do NWO, o cantor arrancou a peça e a lançou para a plateia em êxtase, enquanto cantava trechos de "Yukon". Bieber recebeu duas notas máximas e um escore acima da escala do terceiro jurado, cumprimentando Rubin ao final da rampa.
Diálogo direto com torcedores após polêmica de venda de camisas
Um dos momentos mais relevantes do dia, embora longe das câmeras, foi o encontro de quase uma hora entre Rubin e um comitê consultivo formado por torcedores de diferentes times e esportes. O grupo nasceu após a Fanatics pedir desculpas publicamente a torcedores do New England Patriots e do Seattle Seahawks por falhas na produção e venda de camisas antes do Super Bowl LX, episódio que gerou forte reação nas redes sociais liderada pelo comentarista esportivo de Boston, Brian Babz.
Na reunião, os torcedores cobraram prazos de entrega de produtos, questionaram a ausência de atletas da NHL no evento - liga para a qual a Fanatics também fabrica uniformes - e insistiram especialmente em melhorias no vestuário feminino, da modelagem ao acabamento das camisas oficiais. Rubin reconheceu falhas e afirmou que a empresa vem priorizando a comunicação direta com a comunidade de fãs em vez de apenas investir em marketing digital.
Um dia de encontros que resume a escala do evento
Entre uma corrida e outra pelos corredores do Javits Center, Rubin cruzou com Victor Wembanyama, Joe Burrow, Roman Reigns, Liv Morgan, Zlatan Ibrahimovic, o elenco titular do Knicks e até Jay-Z e Spike Lee. Em determinado momento, Djokovic enfrentou Brady, Bieber e Logan Paul em uma disputa informal de tênis de mesa - e, segundo testemunhas, não perdeu um único ponto.
O ritmo frenético, com direito a oito "sprints" de um lado a outro do centro de convenções, ilustra a dimensão que o Fanatics Fest assumiu como vitrine do esporte global, unindo torcedores, atletas e celebridades em um único palco.